Sobre segundos e incertezas

41, 42, 43… Os segundos passam e nada parece mudar… 50, 51, 52…

Olhando para o meu relógio começo a perceber que ele é a única coisa realmente viva nesse quarto, a única coisa em movimento… 02, 03, 04… Os segundos passam e se transformam em minutos, e os minutos se transformam em horas…

Derrepente os segundos viraram horas…

E as horas viraram segundos…

Quando foi que eu perdi a noção do tempo? Quando foi que eu perdi a noção de tudo?

Derrepente o telefone toca, e continua tocando, não vou atender, como diria minha irmã, “Se for importante liga denovo” … O telefone para, mas depois volta a tocar, pode ser que seja importante, importante? Importante para quem? Pra mim não, com certeza, não mesmo… Talvez fosse, talvez minha irmã estivesse certa… Minha irmã… Onde ela está? Não a vejo por perto para brigar comigo ou tentar conversar… Cade ela? Ninguém me mandando ir fazer nada… Isso é estranho… Sinto falta dela…

Permaneço de olhos abertos, deitado, sem dormir, sem arriscar fechar os olhos e confrontar a verdade, confrontar minhas lembranças… É mais fácil eu acho… Fugir da verdade, fugir das lembranças… Ser forte o bastante pra resistir, e fraco o suficiente pra fugir… Ou ser forte o suficiente pra lutar, e fraco o suficiente pra ser derrotado? Não sei o que escolher… Portanto não vou escolher nada… Já estou farto de escolhas…

Tanto faz… 23, 24, 25… Os segundos continuam a passar… Até quando? Até quando vou ficar aqui sem reconhecer rostos, sem me importar com sons, sem pensar idéias… Onde foi que tudo deu errado? Como chegou á esse ponto?

Talvez eu devesse escrever algo para aliviar pensamentos… Talvez eu devesse sair correndo sem me importar pra onde… Talvez eu devesse parar com isso… Eu não sei o que eu devo fazer, nunca me disseram o que devo fazer… Nunca me disseram como devo proceder… O que é mesmo que eu quero fazer? Eu acho que tinha uma música assim… Era assim?

Ouço um som característico que eu sempre ouvi… 3 notas… Esse barulho me é familiar, o que era mesmo? Não importa… 38, 39, 40… Os segundos não param… Agora eu lembro, é uma mensagem, meu celular… Quem sabe o que é… Vou ler… Leio… Não era o que eu esperava… Mas o que eu esperava mesmo? Não sei, não importa, não espero nada… Leio e fecho o celular e volto á única coisa que parece fazer sentido, meu relógio e os segundos passando… 51, 52, 53, os segundos sempre voltam ao 0, e sempre continuam a passar, nunca param, nunca mudam, seguem perfeitamente uma seqüência, fazem sentido, minuto após minuto… Por que as pessoas não podem ser como um relógio? Por que eu mesmo não posso ser tão constante como os segundos?

Será que alguem falou comigo no computador? Talvez, não quero ver… Não mesmo… Abaixei o volume pra não ter que me confrontar com sons que me lembram momentos, não quero falar com ninguém… Meu nome ostenta um simples ‘/out’ … Por que as pessoas insistem em tentar falar comigo? Por que elas simplesmente não me deixam em paz? Estou a horas tentando me convencer que não preciso de ninguém, e ainda sim tentam interagir comigo? Perguntando se está tudo bem? Não posso culpa-las… Mas por favor, esqueçam de mim, pelo menos até que uma hora seja apenas uma hora, e não um mês… Seria tão fácil se eu me esquece de todo o resto… Mas espere, eu não quero me esquecer, mas não quero lembrar…

57, 58, 59… O tempo não para, mas eu parei no tempo…

“O que eu faço?” pergunto ao relógio… Nada… Nem um tic-tac… Apenas continua me olhando e mudando os segundos… Acho que ele não pode me ajudar…

Acho que ninguém pode…

Ninguém… A não ser eu mesmo…

01, 02, 03…

1 Response to “Sobre segundos e incertezas”


  1. 1 Lari março 31, 2008 às 11:33 pm

    Tô aqui ó! Devidamente preocupada com você…


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